24 dezembro 2006

Locutor sábio

11 dezembro 2006

Trens, macaquinhos e a alegria da criançada



O sistema ferroviário de São Paulo é um dos mais antigos do país e, antigamente, era muito usado para o escoamento de café para o porto de Santos, com destino à Europa. Simultaneamente os trens eram utilizados como meio de transporte público, sendo uma artéria vital na crescente e “próspera” capital paulista.

No entanto, a partir de meados do Século XX, houve uma forte tendência, embasada pela “chegada da modernidade”, que promoveu o sucateamento da linha férrea em pró das rodovias. Os presidentes Washington Luís (1926 – 1930), que sustentava o famoso lema “governar é construir estradas”, e Eurico Gaspar Dutra, principal articulador da construção da Dutra, são as figuras mais ilustrativas dessa política. Atualmente, ainda se nota tal fato visto a proporção de rodovias e ferrovias.

Dentro de São Paulo, entretanto, a linha do trem é bem extensa em relação à do Metro – respectivamente 253,2 quilômetros e pouco mais de 60,5 quilômetros. Mesmo assim, a importância do transporte metroviário, em relação ao ferroviário, é maior – enquanto aquele recebe diariamente cerca de 2,8 milhões de passageiros, este transporta aproximadamente um milhão e 300 mil todos os dias.

A empresa responsável pela administração dos trens em São Paulo é a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Surgida em 1992 ela passou a ser responsável pela malha ferroviária do estado e continua com esse encargo até o atual momento.

Desde o último agosto tenho utilizado os trens da para ir até o meu local de trabalho. A CPTM conta com seis linhas, nomeadas de A a F e, como meu destino é a notória Vila Leopoldina, pego a linha B, que sai da estação Júlio Prestes, zona Oeste de São Paulo, e tem como destino final a estação de Itapevi.

Circular pelas linhas da CPTM é uma experiência antropológica incomparável. A fiscalização dentro dos vagões não é tão intensa quanto na Companhia do Metropolitano de São Paulo – o Metrô – e, por isso, os vendedores ambulantes fazem a festa e aproveitam para oferecer uma variedade de produtos.


Certo dia, cumpria o protocolo do cotidiano e, enquanto olhava pela janela do trem, quando este parara na estação Lapa, ouço uma frase inusitada que me chamou a atenção:
- Olha aí pessoal, o macaquinho que dá cambalhota. É a alegria da criançada. Vamo aproveitando que são as últimas unidades. E é só dois reais, tá muito barato.
Surpreso, levantei a cabeça para entender o que acontecia. Um vendedor ambulante que acabara de entrar, tirara de sua mochila algumas miniaturas de macaco e os botara no chão. Os pequenos brinquedos se moviam freneticamente e, por meio de seus longos braços articulados, dava cambalhotas ininterruptamente.

Atordoado, comecei a refletir sobre as perspectivas de um indivíduo como aquele, visto que, na minha opinião, não havia chances de vender muitos “macaquinhos” ao longo do dia. Não obstante, quando o trem estava próximo à estação seguinte – Domingos de Moraes – e o vendedor já se posicionava próximo à porta para trocar de vagão e tentar persuadir outros clientes em potencial a comprar seu produto, uma senhora se levanta. Com uma agilidade impressionante, ela tira de sua pochete uma nota de dois reais e chama o vendedor:
- Me vê um macaquinho aqui!

O ambulante, que já saía do trem, voltou e olhou para dentro do vagão, como para ver se realmente haviam o chamado. Ao avistar a senhora, ele puxou um de seus macaquinhos, e deu corda no brinquedo para mostrar que estava funcionando. O pequeno animal de plástico passou a dar cambalhotas em sua mão, assim como havia feito no piso do trem momentos antes. A senhora se mostrou satisfeita, pegou o objeto e entregou a nota ao vendedor.

Sorridente, este ainda conseguiu sair do vagão e entrar no seguinte e, acredito, com a esperança de encontrar mais uma “velhinha” disposta a comprar aquilo que ele garante que “faz a alegria da criançada”. E mais um dia se passava nos trens da CPTM.

07 dezembro 2006

Fanta Uva ou oitenta


Fanta Uva é um refrigerante que não admite meio-termo. Não é como refri de limão ou algo do tipo: ou você adora ou você odeia.

Eu sou um daqueles que pertence ao imenso segundo grupo. Simplesmente abomino a existência de um refrigerante de uva, seja qual for. Acho simplesmente enjoativo, excessivamente doce, com um gosto muito apelativo. Calculo que desde de 94 eu não tinha o desprazer de tomar.

Não tinha. Porque no meio de toda essa onda de gostar do que é ruim (vide Inimigos da HP), os adoradores de Fanta Uva começaram a sair das sombras. E fizeram algo que não devem fazer comigo: induzir a pensar. E eu tive a excelente idéia de pensar se o negócio era ruim mesmo ou se era implicância minha.

Determinado, resolvi tirar R$1,59 do bolso e comprar uma garrafinha 600ml daquele chorume espumante. Com ela em casa, frente a mim em um banquinho, eu pensava se havia feito a coisa certa. Eu encarava, a Fanta Uva encarava de volta. Como quem encara está querendo, resolvi tomar coragem e abrir a garrafa. Pensei em virar de uma vez, mas talvez eu anestesiasse um pouco o gosto. E aquilo era plena e meramente um exercício degustativo.

Fui para a cozinha e peguei um copo. Voltei, enchi e provei. Humm... Não é horrível. Tomei mais um pouco, e não é ruim. Com meio copo provado,já não é aquela beleza. Até um pouquinho forte. Quase no final do copo, o gosto começa a impregnar na boca, como se descesse pura água, e o gás, o açúcar e o corante ficassem todo garganta acima. Quando você termina um copo, a sensação é de sair da água à beira de um afogamento.

Evidentemente, foi impossível terminar a garrafa inteira, e eu fui obrigado a repassar parte daquilo para Antônio, que diz que não odeia, mas fez charminho, e Leco, cabra macho que nem o Jeremias, que virou aquela porcaria toda.

Evidentemente, a avaliação é ruim, e 12 anos depois, eu continuo achando Fanta Uva uma merda! Continuo pertencendo ao grupo maior. Continuo achando que o povo que gosta de refri de uva é tonto. E torço para que não tenha outra idéia dessas de jacu em 2018.

05 dezembro 2006

Notícia tirada de um jogo de Championship Manager

Foi com muito pesar que os entusiastas do Manchester United se despediram de Sir. Alex Ferguson. Depois de respeitosos 16 anos no comando dos diabos vermelhos, o técnico se despediu do Old Trafford em meio a grandes comemorações. Ele alega que sua missão nos gramados está cumprida e agora vai se dedicar à família e a sua plantação de castanhas. “Não sei o que será da minha vida agora. Sir. Alex Ferguson nos deu muitas alegrias e agora ele se foi; minha vida é o Manchester!”, palavras chorosas de Ammie Mcallister, esotérica e professora de Cantos gregorianos em Bloomsbury.
Para preencher a vaga, a diretoria dos diabos vermelhos já anunciou o português Nuno Rottemberg. Figura em seus planos a contratação de quatro jovens promessas: o sueco Kim Kallström; Jermaine Alliadiere, da seleção sub-20 francesa; o sueco Steve Fergusson, destaque Charlton na última temporada e o inglês Jean Mclen, dos rivais do Newcastle.
O técnico português, apesar da pouca experiência, mostrou-se empenhado em aprimorar ainda mais o poder de fogo da já aguerrida equipe, que conta com nomes de peso como David Beckham, Juan Sebastian Verón, Paul Scholes* e Ryan Giggs. “Quero organizar ainda mais ainda essa casa arrumada”, comentou o novo comandante dos vermelhos em meio a uma coletiva de imprensa atribulada. Segundo alguns presentes, o ex-craque do Old Trafford, Eric Cantona, foi flagrado distribuindo chutes entre garçons por terem lhe recusado servir Champanhe Sauvignon.



* Paaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuulllll Schooooooolesssss!!!!!

02 dezembro 2006

Fatality

Olha o cacho de uva que dá choque, cacho de uva que dá choque..





"Aqui por exemplo tem, ai,ai,ai..."

01 dezembro 2006

Era mais um dia vinte e dois: aluguel para pagar. Sai com aquela bolada metida às pressas no bolso, com medo de que eu pudesse fazer a felicidade de um bandido qualquer naquele dia. Eis que me surge a brilhante idéia de parar num banco e pegar um daqueles envelopes pra melhor guardar o ordenado. No que um sentinela robotizado de quepe e e camisa azul resmunga:
- Ei, o que você pensa que tá fazendo?
- Pegando um envelope?
- É, mas é proibido.
- Proibido por quê?
- Porque é, não tá vendo a placa não?
- Não.
- É, mas é. É propriedade particular.
- Amigo, esses envelopes sempre sobram. Vocês iam jogar fora mesmo.
- Sobra não.
- A não? São 3:08h, o banco fecha às quatro e tem só um gato-pingado sacando dinheiro enquanto pelo menos uns 32 envelopes estão empilhados em silêncio.
- Tá tirando com a minha cara?
- Nem.
- Vaza.
- Ah é? Saiba que você é um tremendo filho da puta!
Antes que ele pudesse esboçar uma reação bati em retirada correndo mais que os meus tendões. Um dia desses vi o sentinela robotizado pelas ruas. Acho que ele me reconheceu, mas deu de ombros. Estava de folga com a família. A esposa dava as ordens e ele obedecia.