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É a Vida (ou Prelúdio) pt.1

Havia algo de jovial na rua Augusta. Naquela quinta-feira, com o cair da madrugada, a excêntrica juventude paulistana saía de casa em busca de diversão barata. Enquanto solitários buscavam uma calorosa companhia para passar a noite (nem que fosse necessário pagar por isso), outros se dirigiam até suas baladinhas hype, onde a vestimenta casual é moralmente proibida.

Quanto a mim, não seguiria nem um caminho nem outro. Meu destino apontava para o Outs, que seria palco para o show do Gram - cujo qual,segundo me contaram, seria a um preço módico. De fato, uma proposta difícil de resistir.

O primeiro ato da noite aconteceu numa padaria que fica no começo da Augusta, onde eu supostamente deveria esperar uns amigos para seguirmos rumo. O ponto alto ficou para uma súbita aparição de um professor meu, com sua indefectível maleta a tiracolo, que seguia o caminho contrário - ou seja, subia a Augusta e provavelmente iria até a avenida Paulista. Cumprimentei-o, ao mesmo tempo em que refletia sobre o que o maldito fazia ali àquela hora da noite e num lugar tão decrépito. Aposto que ele pensava o mesmo.

O segundo ato aconteceu ao lado do Outs, numa padoca conhecida pelos frequentadores. Após me encontrar com a patota, seguimos descendo a rua até chegarmos no galpão negro onde aconteceria o show. No caminho, nos deparamos com cenas que povoariam até os piores pesadelos de Bukowski. Sob a envolvente luz dos néons dos estabelecimentos noturnos, negociantes proxenetas anunciavam sua mercadoria, oferecendo as mais diversas condições de pagamento e parcelamento, enquanto garotas de família instigavam seus possiveis clientes.

Só que o mundo também não eram rosas na padoca que nos confortava. Primeiro porque havia mesas, mas não cadeiras o suficiente para todos nós. Segundo porque não havia copos de vidro, o que nos obrigou a sorver cerveja em intragáveis copos de plástico. Qualquer um que tenha alguma experiência etílica sabe o quão ruim isso soa. E em terceiro lugar, a cerveja que você levava quase nunca correspondia com a que você pedia ao atendente. Em duas tentativas de pegar uma Skol, acabamos ficando com uma Brahma e uma Itaipava, respectivamente.

Mas embora estivéssemos alienados do mundo exterior naquele aconchegante refúgio, ainda estávamos na rua Augusta. Então, enquanto tomávamos cerveja de pé em copos de plastico, duas estranhas "figuras" semi-nuas, que se "trajavam" como mulheres da vida, entraram no estabelecimento e começaram a mexer com os transeuntes. Talvez constranger seja a palavra correta. Aos que tranquilamente se embebedavam no recinto, elas pediam alguns goles de álcool, nem que fosse necessário usar de truques sujos e lascivos para tal. Por sorte, essa pequena, porém eloquente, amostra do submundo encerrou-se em poucos minutos e ambas praticamente sumiram na escuridão... (continua).

E isso é só o aquecimento, amigo!!!
Haja coração - e putaria - na Rua Augusta!

Tá.
E a parte 2?

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