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Li no Estadão hoje que fiscais do Ministério do Trabalho encontraram, no interior de São Paulo, mais de 400 trabalhadores escravos, que viviam em condições subumanas. 400.
Realmente, muita gente. Mas fiquei me perguntando quantas milhares de pessoas – inclusive crianças - ainda estão nessas condições, e estarão nessas condições daqui a 50 anos, em outros cantos desse mundo, porque esse problema parece não acabar nunca.
Há 100 anos isso também existia aqui.Venho de uma família de lavradores nessas condições, os quais não sabiam ler nem escrever e passavam fome no meio do sertão nordestino.
Há 200 anos, essa situação não só existia, como estava dentro da lei. E os anos antes disso, e os anos antes destes...
Mas acho que o problema é muito maior do que um “senhor” aprisionando um “trabalhador”. É como a relação entre patrões e “colaboradores”ou entre maridos e esposas, é como qualquer relação de dominação: a principal arma é sempre atacar o que há de mais precioso a qualquer um, e o que é mais precioso, mais almejado que a liberdade?
Vai ver liberdade seja só mais um conceito, aquela idéia abstrata - como "felicidade" - que serve apenas para mover as pessoas, fazê-las produzir dinheiro.
E, afinal, o que acontece com os “escravos” libertados pelos fiscais? Para onde eles vão? O que eles fazem para viver? Me parece que acontece a eles o mesmo que acontecia aos escravos africanos no Brasil: a liberdade se torna uma mera burocracia. A exclusão também é uma forma de aprisionamento.

(ps2: Não me sinto livre aqui, nesta vida...)
(ps2: É por isso que eu gosto de sexo. Ele sim é um conceito físico.)